Fotógrafa brasileira se registra nua para voltar amar seu corpo pós-maternidade

Depois de que sua filha nasceu, a fotógrafa Juliana Caribé demorou para conseguir se olhar no espelho e voltar a se reconhecer. Segundo ela, esse processo de reconhecimento, que ainda está acontecendo, passa por aceitar e viver seu novo corpo.

Ela entende que o corpo é apenas o veículo que utilizamos para expressar o que somos internamente, e para conseguir ressignificar tantas mudanças vividas a partir da maternidade, ela, acostumada a fotografar tanta gente, resolveu que era hora de virar as lentes para si mesma.

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Quando enfim apontou sozinha a câmera para si e decidiu se fotografar, Juliana conta que descobriu uma beleza e sensualidade que estavam adormecidas. “E eu me permiti ser mulher – e não apenas mãe -, e me permiti amar esse meu novo corpo, e sentir prazer na existência dele como ele é”, afirma.

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Para ela, o autoensaio procura muito mais do que realizar registros bonitos de uma mulher nua, mas sim um processo de resgate, de redescobrimento de si, assim como uma sugestão de possibilidade e amor-próprio para qualquer pessoa. “É uma peça importante de um quebra-cabeças pós-maternidade que eu estou, aos poucos, conseguindo montar”.

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Você pode seguir o trabalho de Juliana pelo Instagram ou por seu blog.

Todas as fotos © Juliana Caribé

Recentemente o Hypeness mostrou uma série de autorretratos nus feito por cartunistas mulheres para protestarem contra o machismo. Relembre.

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Uma das maiores modelos do mundo não acreditava ser bonita

Casaco Stella McCartney – Coordenação: Gilberto Júnior. Edição de moda: Lorna McGee. Cabelo: Ernesto Montenovo (David Artists). Maquiagem: Christabel Draffin. Modelo: Arizona Muse (Next Models). / Fotos de Ricardo Abrahao

Figura importante na moda, o fotógrafo Steven Meisel ajudou Arizona Muse a chegar ao topo, como já fizera com as supermodelos dos anos 90 Linda Evangelista, Naomi Campbell e Christy Turlington. Meisel colocou Arizona na capa da “Vogue” italiana ao lado da top dinamarquesa Freja Beha Erichsen, em campanhas da Prada e em editoriais importantes publicados por revistas como a “W”.

— É maravilhoso estar com o Steven Meisel, um dos fotógrafos mais criativos com quem já colaborei. Parece que ele faz mágica — elogia a modelo, que também caiu nas graças da dupla Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin, que a retratou para o verão 2011 da Saint Laurent — na época, Stefano Pilati ainda respondia pela direção criativa da casa. Peter Lindbergh, Mario Testino, David Sims, Mario Sorrenti, Terry Richardson e Craig McDean também ficaram encantados com a top.

— Não acreditava quando as pessoas falavam que eu era bonita. Achava que elas diziam isso para me fazer sentir melhor. Olhava para as outras mulheres e tinha certeza que eram mais belas. Levei muito tempo para perceber que eu realmente merecia estar nessa profissão — conta Arizona, que cita as atrizes Léa Seydoux, Scarlett Johansson e Audrey Hepburn como referências de beleza.

 

Mãe solteira aos 19 anos (o filho Nikko tem 7), Arizona diz que ser mãe lhe deu energia para construir a carreira. Hoje, ela pertence ao time de modelos que se reveza nas campanhas das maiores grifes do mundo. Nos últimos cinco anos, Arizona fotografou para Louis Vuitton, Fendi, Diane von Fürstenberg, Isabel Marant e Chloé, além de ter posado para vários anúncios da gigante dos cosméticos Estée Lauder. Nos lançamentos internacionais para o inverno 2016/2017, esteve nos desfiles de Sonia Rykiel e Acne Studios:

— Amo o que faço e espero que isso apareça nas fotos. Quero que todos sintam uma felicidade ao ver as imagem. Desejo inspirar e motivar.

 

 

Post Originial : O Globo

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Exibindo a forma humana como escultura, não, péra… é foto

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fotografa corpos contorcidos em poses poéticas. Seus cliques monocromáticos se tornam ainda mais poderosos com seu estilo minimalista.

Exibindo a forma humana como escultura (vendo de primeira achei mesmo que fossem), ele manifesta interesse pelo movimento, explorando os ângulos naturais e as formas “surreais” que o humano é capaz obter.

Direto de Berlim, Lovis explora questões existenciais em seus diálogos imagéticos com o público, e também aborda tabus sociais em torno da nudez.

 

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|via Ideia Fixa

 

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Curso básico para fotografar mulheres nuas sem ser um babaca

Nas últimas semanas, algumas denúncias graves pipocaram nas redes sociais relatando casos de modelos que sofreram assédio de fotógrafos. Um deles, inclusive, era “famoso” no meio de música eletrônica e tinha um apreço especial de pedir fotos das suas futuras modelos mostrando a lingerie para “testar”. Outro, chegou a tocar em diversas meninas que sequer seguiam carreira de modelo durante as sessões de fotos. Essas duas denúncias foram as primeiras de, provavelmente, muitas que ainda estão por vir.

Não é de se surpreender que esses fotógrafos usavam a desculpa de fazer “ensaios sensuais” para abusar das modelos que topavam participar do projeto. Com o crescimento de fotógrafos do Instagram e profissionais mais veteranos que gostam de tirar fotos de nu, infelizmente é preciso falar o básico: não aproveite de ninguém em qualquer situação e, pior ainda, se essa relação for de trabalho.

Com isso em mente, pedimos para três experientes modelos da nova cena de peladezas jovens darem dicas para fotógrafos homens que estão começando. Um tutorial rápido e prático sobre o que não fazer com as modelos. Jacqueline Jordão, Karina Wenceslau e Thays Vitangelo também contaram algumas histórias de horror que passaram enquanto estavam trabalhando.

“Já aconteceu de estar no meio de um ensaio e o fotógrafo chegar pra mim e dizer o quão difícil era pra ele se controlar e não sentir tesão em me ver pelada. Isso no meio do ensaio. Me senti super fragilizada”, conta Karina.

Já Thays relatou ter sofrido abusos verbais de um fotógrafo e já chegou a perder trabalho porque não aceitou sair com um figurão do meio. Ela também já se posicionou ativamente nas suas redes sociais contra fotógrafos que usam projetos de empoderamento feminista para xavecar as modelos (profissionais e não-profissionais) que passavam por suas lentes.

Thays concorda que essa aparição de denúncias é positiva, mas aponta que ainda é muito pouco. Apesar de modelos e fotógrafos criarem grupos fechados de trocas de experiências ruins e indicações de pessoas confiáveis, a voz da modelo que foi abusada ainda é muito desconsiderada. “Percebemos que não falávamos dos abusos por conta do fotógrafo ser ‘famosinho’, e o pessoal tinha medo. Você vai falar isso e sair como errada, ou louca ou querendo atenção. Também percebemos que é difícil ter voz, porque muitas pessoas ainda enxergam isso [o nu fotográfico] como errado, porque fomos nós que topamos em posar peladas.”

Já a Jacqueline conta que foi menosprezada pelos fotógrafos por ser modelo plus size. “Tem fotógrafo que só me chama para falar que tirou foto de mina gordinha. Depois, ele caga para mim. Quando comecei a fotografar, saí do meu primeiro ensaio e falei que queria fazer aquilo pra sempre. Todo mundo que estava comigo deu risada e duvidou de mim. Depois que vieram outras oportunidades, eles ficaram em choque.”

Tenha um portfólio (Organizado? Melhor ainda)

“Eu sempre peço referência de um fotógrafo para outras meninas e, principalmente, vejo o portfólio dele para ver se ele é fotógrafo mesmo. Existem alguns homens por aí que nem fotografam e usam isso para se aproveitar”, conta Karina.

Além disso, você já deve saber que é pelo seu portfólio atualizado e organizadinho que as modelos e outras pessoas que estão considerando trabalhar com você vão bater o martelo. Inclusive, não é nada incomum as modelos toparem (ou não) fotografar com base nos trabalhos que você fez. “Sempre vejo os trabalhos de alguém antes de topar alguma coisa. Se não me interessa o trabalho, não faço”, explica Thays.

“Tem muito doido por aí que fala que trabalha com isso, mas na hora de você ver o portfólio só tem fotos antigas”, conta Karina.

Tenha um projeto (de verdade) e deixe o feminismo para as mulheres

É fácil de captar se o fotógrafo quer só comer mulher ou quer fazer um trabalho bacana de verdade. Não adianta só querer fotografar mulher pelada pra arranjar uma foda e vender como se fosse um grande trabalho feminista inovador. “Quando tem uns papos de feminismo e o fotógrafo é homem, sempre fico com o pé atrás”, diz Thays.

De fato, dá pra catar de baciada esses tipo de trabalho em que o fotógrafo em questão quer celebrar a beleza feminina e faz isso fotografando apenas garotas consideradas lindas por unanimidade. “Se você faz tanta questão de usar isso pro seu trabalho, não chame só as meninas que você acha lindas. Caso não achar legal, também não use palavras como ‘empoderamento’, ‘feminismo’ e afins. Não faz nenhum sentido”, completa.

Karina acredita que essa questão é problemática. “Eu sempre acho estranho homem fotografando a mulher desse jeito, focando no empoderamento. Entendo que o cara quer dizer que todas as mulheres são bonitas e tudo mais, mas hoje em dia existem muitas mulheres fotógrafas que poderiam ter espaço para fazer isso e abordar essa tema com mais sensibilidade.”

“O fotógrafo precisa explicar tudo que ele quer fazer e quais são as intenções dele. Desde como ele teve a ideia e como ele quer concretizar isso com você. A pessoa precisa se sentir segura com seu trabalho. Já deixei de fazer por não sentir a segurança necessária porque não gostei do jeito que ele colocava as modelos na internet”, aconselha Jacqueline.

Tenha coerência, pense no que você quer fazer, o que você quer passar e saiba escrever decentemente sobre ele para explicar para a modelo. É importante também entender que, sim, a modelo é livre para não topar seu convite. O que nos leva para o próximo item:

Saiba abordar respeitosamente e também receber um “não” eventual

“Já recebi direct [no Instagram] de homens falando que queriam me fotografar porque eu sou linda. Não quero saber disso, quero saber quem é você e o seu trabalho. Quer chamar? Chama, mas de forma profissional. Muitos levam isso na brincadeira. Não sou sua íntima”, reclama Thays.

Karina também pede para os caras jamais, em hipótese nenhuma, pedirem fotos antes. Aliás, se você pede isso é porque provavelmente está na maldade.

“Se começa falando que eu sou linda, já descarto. Beleza, eu sou bonita, eu sei disso, mas por isso exijo que eles tenham um contato mais profissional comigo do que fazer comentários sexuais ou sobre a minha aparência. Não gosto que peçam coisas também, tipo foto de bunda, peito. Não funciona assim.”

Vale dizer que essa frase deve ser aplicada não só no campo profissional, como pra sua vida civil também. A modelo tem diversos motivos para aceitar ou não seu convite para trabalhar. Acredite, reclamar só piora a situação.

“Normalmente, os fotógrafos lidam de um jeito tranquilo com isso, mas já rolou de um cara me chamar para tirar foto minha nua no meio da natureza. Era um trabalho que exigia que eu me deslocasse para um lugar afastado e ele não podia pagar cachê. Eu recusei e ele ficou puto”, conta Karina.

Não tem problema não ter grana pra pagar cachê, mas é importante entender que as modelos também pagam contas e comem. Então, sim, muitas delas vão perguntar sobre o valor oferecido. Respire fundo, inspire, explique a situação e não seja aquele reclamão que acha que a modelo tem um problema pessoal com você.

“Não faz sentido você aceitar todos os trabalhos e óbvio que tem cara que fica indignado e gera toda essa revolta. As pessoas precisam entender que, assim como outros fotógrafos não me chamam para fotografar pelo motivo que seja, eu também posso escolher não trabalhar com alguém. Pelo motivo que seja”, explica Karina.

Seja um ser humano minimamente decente na internet

Não adianta vender projeto feminista bonitinho ou pagar de homem renascentista pra descolar facilidades, sendo que no Instagram, Facebook e afins você adora meter o doidão e falar coisas ridículas.

Devo lembrar que você é constantemente observado na rede mundial de computadores, inclusive por gente que trabalha ou futuramente irá trabalhar com você. Provavelmente você deve fazer a mesma coisa com os outros, não?

Acredite, ser um bostão no seu perfil pessoal queima muito o filme. Quer falar merda? Fale no privado pros seus amigos.

“Se o cara posta alguma coisa sobre o trabalho que ele está fazendo no dia, falando que a modelo é linda, maravilhosa, etc, já não gosto. Tudo bem, posta falando sobre o trabalho, mas dispense os xavecos. Outra questão é se eu vejo que ele compartilhou algo muito machista”, diz Thays.

“Conta muito o jeito dele na internet. Com certeza, tudo bem que a profissão é diferente, mas é a mesma pessoa que tá lá. Se o cara se diz fotógrafo de mulher e posta coisa machista jamais faria algo com ele”, engrossa Jacqueline.

Na hora de fotografar

1. Não reclame se a modelo levar alguém de confiança para acompanhar a sessão.

A solução de muitas modelos é sempre levar alguém de confiança — seja uma amiga ou o namorado — para acompanhar as sessões e criar um clima mais seguro. Isso é uma coisa comum e pode ajudar bastante a modelo se sentir confortável nas fotos e seu trabalho ficar bacana.

Seja compreensível com isso. Não reclame que ela irá levar o namorado para acompanhar sua sessão de fotos. Não é pessoal, é só uma maneira de se proteger. Acredite, se não houvessem abusos diariamente por parte dos homens, isso não seria nem um tópico para ser discutido (e esse guia nem precisaria ser escrito também).

Ah, não vale pedir pra modelo levar uma amiga mulher, seu lixão humano.

A Thays gosta de levar seu namorado para as sessões. Especialmente quando o trabalho envolve tirar a roupa e ela não conhece o fotógrafo. “É aquela velha história: um homem só respeita outro homem. Não gosto quando eles falam que não querem meu namorado lá, eles precisam entender que quando falam isso estão perdendo uma credibilidade enorme e um ensaio bom. Quando estou com ele, me sinto muito mais confortável para me soltar. Ele me dá dicas e me deixa tranquila.”

2. Em hipótese nenhuma faça comentários grosseiros, engraçadinhos ou derivados durante a sessão de fotos.

Parece até meio ridículo precisar falar esse tipo de coisa, mas isso foi tópico de várias denúncias de modelos na internet e, inclusive, a Thays e a Karina já passaram por situações cabeludas do gênero.

Se o seu projeto exige que a modelo tire a roupa e ela mal te conhece, é óbvio que ela está mais vulnerável à situação. Não significa, em hipótese alguma, que ela pode ser xavecada por você só porque topou fazer fotos de nu.

“Não gosto de ouvir nenhum tipo de elogio durante as fotos. Quer elogiar? Elogia a foto. Não me chama de linda. Acho isso desnecessário. Claro que é diferente quando eu conheço a pessoa muito bem ou estou fotografando com mulher”, explica Thays.

3. Evite tocar no corpo da modelo.

Comunicação é a chave. Explique para ela o que você quer fazer, mostre você mesmo como você pensa na pose. Gesticule, sei lá. Só não toca. Isso cria um desconforto tão grande para a pessoa que está sendo fotografada não tem nem como explicar. Se imagine pelado e um homem que você mal conhece começa a tocar seu corpo para te fotografar. Ruim, né?

“Se eu tô tirando a roupa e vejo que ele tá me olhando, me observando demais já acho estranho. Ele precisa dar um tempo para a menina. E não encostar. Tem que ter um cuidado no tato, principalmente porque, às vezes, ele nem conhece a menina e já tá pegando no corpo. E ela já tá fragilizada porque está nua, sabe?”, reclama Karina.

“Tocar é um problema muito grande e já parei um ensaio por causa isso”, relembra Thays. “Não sou uma boneca.” Uma boa saída apontada pela modelo é (se possível) ter uma assistente mulher para ajudar a explicar as poses. “Na maioria das vezes quando meu namorado fotografa eu tô junto para dar assistência. Quando precisa tocar na modelo, quem faz isso sou eu e sempre peço antes. É muito ruim ter um homem te tocando que você não conhece. Nem quando pede licença, não gosto.”

4. Jamais insista em algo que a modelo não se sinta confortável em fazer

Eu sei que você tá animadão e já tinha tudo pronto na sua cabeça antes da sessão de fotos. Acontece que nem todo mundo está na mesma vibe que você. Tem pessoas que conseguem se soltar mais e ousar mais nas fotos, outras que vão até um limite.

“Eu não vou citar os projetos, mas eu já me senti muito desconfortável na questão de pegar e me colocar como se eu fosse uma peça. A pessoa que está ali posand, tanto faz, sabe? É muito chato. E é bem triste porque quando você lida com corpo, modelo ou fotógrafo, é uma coisa delicada. Não é só o corpo, você passa uma parada, então não dá para lidar com tanta frieza em algo que é tão profundo e interno”, explica Jacqueline.

Deixe a modelo se soltar e fazer as coisas por conta própria. Óbvio que você pode dirigir o que você quer, mas não adianta forçar a pessoa fazer algo que não topou previamente. Certamente, suas fotos vão ficar uma porcaria se você usar essa tática de pressão.

Karina, por exemplo, não curte fazer fotos mais explícitas da sua virilha. “Se o cara insistir em fazer isso, ficar pressionando, eu não aceito e acho muito desagradável. Tem meninas que topam, mas quando a iniciativa vem do cara e não da menina eu já acho estranho.”

“Eu já recebi coisas do tipo ‘você não pode ter vergonha’, mas tem meninas que têm vergonha. Nem todo mundo é fácil assim na hora de tirar a roupa na frente de um cara e um assistente. Você acabou de conhecer essas pessoas”, contesta.

Se o seu trabalho não oferecer cachê, sempre veja com a modelo se é ok postar alguma foto na internet

Pense que não é só seu trabalho que está sendo divulgado, é a imagem da modelo também. Que legal que ela topou trabalhar com você, mas é uma coisa bacana você mostrar as fotos editadas do ensaio e ver com ela se tá tudo bem postar no Instagram. Ela também tem o direito de controlar sua imagem.

“Eu deixo os fotógrafos bem à vontade na hora de escolher as fotos, porque, afinal, é o trabalho deles. Mas eu veto sim quando não gosto de alguma coisa”, conta Karina.

O caso de Thays é mais delicado porque ela costuma ser modelo de workshops pagos de fotos nu. Ela sempre solicita para que peçam autorização antes de publicar qualquer coisa. “Às vezes, você não vê quem tirou a foto e acaba saindo num ângulo estranho.”

Não seja uma pessoa birrenta. Uma coisa é um trabalho em que a modelo está recebendo um cachê e outra é você fazer um convite casual para tirar fotos sem pagar. Questão de respeito.

Fonte: Curso básico para fotografar mulheres nuas sem ser um babaca.

Machisma por Nina Covington

Eu queria dar às mulheres a oportunidade de expressar traços que são tipicamente associados com os homens.
Eu queria mostrar a beleza das mulheres justapostos com projeções masculinas de força.

Noções de beleza são normalmente associados com mulheres que estão expressando características totalmente femininas, mas as mulheres não têm que ter o cabelo bonito e maquiagem e vestidos para serem bonitas. Podemos ser masculinas ou andrógina e ainda ser bonitas. Mulheres bonitas vão para a guerra, construção cívil. Eles são policiais e CEOs. Elas são lutadoras, pugilistas e elas jogam futebol.

Eu estou contando a história des mulheres, porque é com isso que me identifico. Sou uma mulher explorando o ponto de vista de uma mulher, mas a essência deste livro é para todos. É para os homens também. Machisma é simplesmente dizer não a normas de gênero, ele está dizendo “vá se ferrar” para o que a sociedade diz que os homens e as mulheres devem ser.

Estes retratos podem ser como uma terapia; o que foi para mim. Tem sido cura para mim e para muitas destas mulheres a abraçar a nossa capacidade masculino.

Tanto as mulheres como os homens podem ser forte. Enquanto os homens e as mulheres tendem a ser diferentes, em geral, não são, obviamente, um espectro de gênero na natureza. É normal que cada um de nós para expressar uma combinação única de características masculinas e femininas.

– Nina Covington

Texto original: Machisma by Nina Covington

Samsara – Hugo Santarem

Simplesmente um dos projetos mais lindos que vi recentemente é o Samsara de Hugo Santarem, sem precisar falar muito deixo vocês com o vídeo e as imagens desse trabalho sensacional.

“Samsara” em sãnscrito significa “seguir em frente”. Nas culturas hinduístas, budistas e jainistas, o vocábulo representa o ciclo de morte e renascimento, da transitoriedade e inquietação de nossa existência. É por meio do Samsara que podemos renascer, até chegarmos à iluminação. No budismo, a impermanência dos pensamentos também pode ser entendida como manifestações efêmeras do Samsara, em que os pensamentos morrem e renascem continuamente.

Assim também é na vida, em que transitamos de momentos de inquietação para os de tranquilidade, de consciência para inconsciência. A morte pode acontecer em vários momentos da vida. Todos morremos diversas vezes quando oscilamos de sentimentos, ou mudamos de cidade, emprego, ou mesmo quando mudamos nossas rotinas, hábitos ou ciclos. Mas por outro lado, esse processo permite renascer outras vezes.

A vida contemporânea exige rotinas, ritmos e focos que nos fazem perder outras oportunidades que nossa existência nos permitiria. Acredito que podemos renascer em cada movimento e atitude, e as imagens mostram a força que uma ação pode ter sobre nós e como isso se espalha pelo mundo. A imagem representa então, o desprendimento desse ciclo contemporâneo e a mudança que podemos fazer em nossas vidas.

Para mostrar essa força do corpo e da mente, foi construído um cenário de infinitude, representando o universo em sua origem, de forma que remeta imageticamente ao Big Bang, cuja grande explosão aqui apresentada, origina uma pessoa. O atleta, apesar do esforço, está sempre em movimentos e poses fetais. A explosão e cores, em todas as suas nuances, mostram a energia e a beleza desses movimentos. Para criar esse efeito, utilizou-se o pó do festival Holi, que simboliza o renascimento da vida com a chegada da primavera e remete à cultura indiana.
Hugo Santarem

A beleza masculina também é para ser admirada?

“O masculino … Para ele é dito para não chorar. Para ele é dito para não estender a mão para o conforto ou segurança. É dito para não pedir ajuda ou para se permitir ser visto como inseguro. É dito para não tremer ou encolher frente ao perigo. É dito para não cantar de alegria. Quando ele consegue subir no pedestal de respeito e apreço, ele descobre que é um pedestal estreito, solitário e precário. Através de tudo isso, ele anseia por ser necessário e realizar um senso de propósito” – David Bollt

Ao se referir a pessoas, a palavra “beleza” é geralmente associada com as mulheres, mais do que os homens. Descrevemos também uma infindável variedade de coisas não-humanas – tais como flores, pôr do sol, paisagens e até mesmo carros – como “belo”, mas por alguma razão, este termo não é comumente usado para descrever os homens. Embora ‘bonito’ é uma bela palavra para descrever um homem tão atraente, ele não consegue abraçar a gama completa da humanidade masculina.

Por quê? Existem preconceitos culturais que influenciam a forma como nos relacionamos com os homens? Ou existem apenas diferenças naturais em como nós experimentamos isso?

Com um pouco de prática, os seres humanos têm uma capacidade infinita de experimentar a beleza. Em um determinado momento, você pode ser atingido por beleza como quando você encontra alguém atraente. Em outro momento, você pode testemunhar uma qualidade diferente de beleza, como você contemplar a sabedoria e caráter gravado na face de uma pessoa idosa.

Independentemente do seu sexo ou orientação sexual, convidamos a ter um momento para transcender associações habituais da linguagem, e experimentar estas imagens de homens como simplesmente bonitas.

Para alguns, isso é confrontar, para outros é perfeitamente natural.

Não sugerimos que você deve ver as coisas de uma maneira ou de outra. No entanto, pensamos na beleza como uma oportunidade. Acreditamos que a capacidade e a vontade de experimentar a beleza – em si mesmo e em outros – é um presente que você pode dar a si mesmo e ao mundo.

Texto Original: Can you experience men as beautiful too?

Russo inaugura agência para modelos com mais de 60 anos

O projeto Oldushka iniciou-se em 2011, quando o fotógrafo Ígor Gavar, 29, começou a fotografar vovós e vovôs nas ruas de Omsk, cidade 2.700 km a leste de Moscou. De lá, partiu para os modelos sêniores da capital e de São Petersburgo.

Agora, o sucesso do blog de fotografias transformou-se em a ideia em uma agência de modelos idosos. Nos últimos dois anos, pessoas entre os 60 e os 78 anos apareceram em páginas de moda de publicações russa e estrelaram campanhas de publicidade da casa de moda russa Cyrille Gassiline pelas mãos da Oldushka.

“Minha família e formação tiveram um papel importante nessa história. Ambas minhas avós sempre tiveram boa aparência “, conta Gavar.

Formado em design de interiores, Gavar sempre se interessou também por moda. A agência conta com sete modelos no momento, todos “caçados” pelo próprio Gavar.

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Aos 63 anos, a engenheira aposentada Liudmila Brajkina, de Moscou, é uma delas. Sempre de jeans e frequentadora assídua de uma academia de ginástica da capital, ela já se acostumou com a rotina de modelo.

“Nunca gostei de estar no centro das atenções, tinha complexos. Mas achei interessante trabalhar com profissionais da área”, diz.

Já Nina Torchina, 72, entrou no projeto por curiosidade. “Não é tão comum aparecerem coisas tão interessantes. A vida é bastante monótona. Mas assim fica mais agradável: com alguém cuidando de você, te vestindo”, diz.

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O uso de modelos idosos não é novidade no mundo desenvolvido, mas na Rússia só começa a tomar forma agora. Na década de 2010, as imagens de mulheres entre os 70 e 80 anos de idade em campanhas publicitárias foram usadas pela Lanvin, Celine, Delvaux e MAC.

Já na última Semana de Moda de Paris, o japonês Iun Takahashi apresentou a coleção Undercover Outono-Inverno 2017 com mulheres mais maduras.

As modelos da Oldushka, porém, ainda não foram convidadas para a Semana de Moda de Moscou.

“Isso mostra a falta de visão dos organizadores. Se uma mulher na faixa dos 60 ou 70 anos aparecesse em meio às modelos de 20 anos, o efeito seria maravilhoso!”, diz o colunista da revista Allure, Aleksêi Beliakov.

“A ideia da agência é boa. Eu a caracterizaria como um bom projeto social. Mas é preciso considerar uma tendência mundial onde as pessoas mais velhas se tornam objeto de cuidados especiais. Nas revistas ocidentais, as mulheres mais velhas são agora o público mais demandado. São negócios”, explica.

Em 2010, o blog Oldushka recebeu um investimento de 5.000 euros da United Colors of Benetton como projeto social chamando a atenção para os problemas das gerações mais velhas da Rússia.

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Como planejado, a bolsa será destinada à criação de editorias com as histórias dos protagonistas do projeto.

Para o criador da agência, ela não representa apenas a possibilidade de negócios. “O assunto da velhice alarma a todos. Dizem que as crianças são nosso futuro. Não é assim: as crianças nascem, os pais envelhecem. Por isso, o futuro não são as crianças, mas os velhos”, diz.

Gavar considera a própria criação da agência como um êxito. “Eu não pensava que as pessoas reagiriam com seriedade ao projeto. Uma de nossas modelos, a Olga, de 70 anos, é agora a cara da coleção da marca russa Cyrille Gassiline!”, comemora.

O trabalho como modelos não é porém, a fonte principal de renda das modelos, segundo ele. “É, no máximo, um freelance e uma possibilidade de se testar de novos modelos. Muitas sessões de fotos trazem um efeito terapêutico, aumentam a autoconfiança”, diz.

Fonte: Gazeta Russa por Iúlia Chimf