O mais belo suicídio

Créditos: Robert C. Wiles

Créditos: Robert C. Wiles

A edição de 12 de maio de 1947 da revista Life publicou essa imagem com a seguinte legenda:

“Ao pé do Empire State Building, o corpo de Evelyn McHale repousa serenamente num grotesco esquife. Ao cair, o corpo estraçalhou o teto de um carro estacionado.”

O texto segue esclarecendo: “Pouco depois de se despedir do noivo, no dia 1° de maio, a jovem Evelyn McHale, de 23 anos, escreveu um bilhete. Acabou por riscar a frase ‘Ele ficará muito melhor sem mim… Eu não seria boa esposa para ninguém’. Depois de subir no deque do observatório do Empire State Building ela procurou o chão 86 andares mais abaixo. Em seguida saltou. Em sua desesperada determinação, impulsionou-se para além dos recuos do prédio e caiu sobre uma limusine das Nações Unidas, estacionada. Do outro lado da rua, o estudante de fotografia Robert C. Wiles ouviu o estrondo. Quatro minutos depois ele fez essa foto de violência e compostura numa morte”.

Mais de sete décadas após essa imagem ser registrada O mais belo suicídio, título que a imagem recebeu, ainda é publicada incontáveis vezes, fez parte de várias antologias de fotografia, serviu de inspiração para músicos, poetas, artistas como Andy Warhol no quadro Suicide (The Fallen Body), da série de múltiplos. e a capa de um catálogo de outono 2011 onde Neiman Marcus retratou a atriz Drew Barrymore em pose e composição semelhantes.

Na imagem, o corpo caído parece intacto em meio ao carro retorcido, Evelyn apresenta uma serenidade desconcertante, as pernas recatadamente cruzadas e a mão esquerda enluvada toca levemente um colar de pérolas. A foto registrada por Robert C. Wiles um jovem aspirante a fotógrafo que o destino colocara na esquina da Quinta Avenida com a rua 34, não encontrei nada sobre a reação de Wiles ao registrar a imagem onde vemos essa jovem serena em cima de um carro destruído, imagem que terminou desintegrando-se por completo pouco depois, no momento da remoção do corpo revelando a violência chocante do ocorrido.

Como toda fotografia o que temos é um momento congelado no tempo que se isola dos segundos em que a jovem caia para a morte e da aglomeração ruidosa de pessoas que se seguiu ao impacto e congelada pela câmera carrega uma beleza exótica daquele instante de momento.

“A arte é uma mentira que nos permite dizer a verdade” – Picasso

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Oi eu sou o Cadu (leia a frase acima na voz do dublado do Goku, o Wendel Bezerra) Moro atualmente em Brasília e sou apaixonado por fotografia. Você pode me encontrar nas redes sociais informadas aqui.