Fotógrafa brasileira se registra nua para voltar amar seu corpo pós-maternidade

Depois de que sua filha nasceu, a fotógrafa Juliana Caribé demorou para conseguir se olhar no espelho e voltar a se reconhecer. Segundo ela, esse processo de reconhecimento, que ainda está acontecendo, passa por aceitar e viver seu novo corpo.

Ela entende que o corpo é apenas o veículo que utilizamos para expressar o que somos internamente, e para conseguir ressignificar tantas mudanças vividas a partir da maternidade, ela, acostumada a fotografar tanta gente, resolveu que era hora de virar as lentes para si mesma.

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Quando enfim apontou sozinha a câmera para si e decidiu se fotografar, Juliana conta que descobriu uma beleza e sensualidade que estavam adormecidas. “E eu me permiti ser mulher – e não apenas mãe -, e me permiti amar esse meu novo corpo, e sentir prazer na existência dele como ele é”, afirma.

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Para ela, o autoensaio procura muito mais do que realizar registros bonitos de uma mulher nua, mas sim um processo de resgate, de redescobrimento de si, assim como uma sugestão de possibilidade e amor-próprio para qualquer pessoa. “É uma peça importante de um quebra-cabeças pós-maternidade que eu estou, aos poucos, conseguindo montar”.

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Você pode seguir o trabalho de Juliana pelo Instagram ou por seu blog.

Todas as fotos © Juliana Caribé

Recentemente o Hypeness mostrou uma série de autorretratos nus feito por cartunistas mulheres para protestarem contra o machismo. Relembre.

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Erica Simone: Porque é que precisamos de roupa?

Erica Simone, uma fotógrafa franco-americana, pegou no seu tripé e fotografou-se nas ruas de Nova Iorque sem roupa, sem pudor ou preconceito, tudo para responder a uma pergunta: “porque é que precisamos de roupa?”.

As fotos representam algumas das tarefas diárias de Simone, uma ida à tabacaria para comprar cigarros, ir às compras, apanhar um táxi ou o metro, fazer uma chamada num café ou mesmo tirar uma selfie em plena Times Square. Tudo muito normal à excepção de que a fotógrafa aparece nua, o que não parece afectar quem está à sua volta. Assim, o projecto floriu e “com um tripé e uma boa dose de adrenalina, passeei e senti as ruas inquietas de Nova Iorque nua” e o objectivo não é exibir-se mas sim “explorar aspectos interessantes da nossa sociedade”.

As fotografias de Jennifer Toole retratam um admirável mundo nu

A fotógrafa de Toronto Jennifer Toole co-fundadora do site Herself.com, que mostra retratos nus de mulheres da província de Ontário no Canadá fotografadas à luz natural. “Estas são mulheres fortes e muito corajosos que se oferecem como um exemplo de beleza natural”, diz ela.

As fotografias de Jennifer Toole às vezes são capturados na primeira luz do dia. O brilho suave do nascer do sol a muito tempo é estimado para os fotógrafos. Mas para Toole, é mais como seu “estilo guerrilha” de sessões de fotos ao ar livre, um tempo seguro para suas modelos ficarem nuas.

“Você pode sair a vontade no início da madrugada”, diz ela.

Toole e uma mulher chamada Demi um dia aproveitaram a distração de seguranças e pularam a cerca do Ontario Place, um complexo a beira do lago Ontario em Toronto. O resultado ajudou Toole a lançar o Herself.com – uma celebração ao corpo humano em sua essência. Demi ficou em pé como uma estátua nua em uma laje de pedra, seu corpo forte, determinado pronto contra a vastidão do lago.

Mais recentemente, o amanhecer viu outra modelo de Toole posando na parte superior da arquibancada no Exhibition Place, vestida apenas em tênis. Saindo de suas costas um enorme par de asas. Ela é a Nike, a deusa grega da vitória. Toole planeja para 25 janeiro uma exposição de deusas nuas na Only One Gallery.

“Não há muito que é mais bonito do que um corpo de mulher”, diz ela durante um almoço em um hotel no centro.

Nus foram o assunto da fotografia desde invenção da câmera no início de 1800. Ao longo do caminho, as mulheres que têm elevado esse trabalho para uma forma de arte incluem Julia Margaret Cameron, Diane Arbus e Mona Kuhn.

As ambições de Toole nesses trinta anos não são menos nobres, particularmente quando a cultura popular parece inclinada a distorcer o corpo que se apresenta de forma pura. A beleza é “photoshopada”, cirurgicamente reforçada e objetivado. Mulheres sentem diminuídas nessas comparações, e Toole quer confrontar isso com seu trabalho.

“Eu sempre tive o desejo de sanar essa epidemia de insegurança nas mulheres,” ela diz.

“Kylie Jenner, modelo e personalidade,reconstruiu seu rosto inteiro antes dos 18 anos e acaba de lançar três cores de batom que fizeram milhões de dólares em um dia. Que tipo de lição é essa para os adolescentes? ”

A mensagem de Toole é grave, mas suas fotos são suaves. Seus nus são divertidos. Elas se vangloriam da sua auto-imagem, não mais prisioneiros do que a cineasta feminista Laura Mulvey chama de “o olhar masculino.”

Esse conceito tem criado burburinho internacional no início de 2015, quando Toole uniu-se com a atriz australiana Caitlin Stasey para lançar o website Herself.com. Ele mostrou nus de mulheres da região de Toronto, identificado apenas pelo primeiro nome. Toole os fotografou na luz natural com filme de formato médio, dando as imagens uma textura de uma pintura.

“Estes são mulheres fortes e muito corajosos que oferecem a sua imagem como um exemplo de beleza natural”, diz Toole. “É uma celebração do individualismo nas mulheres.”

Em longas entrevistas realizadas por Stasey, as mulheres descreveram tudo, desde seu despertar sexual de seus pontos de vista sobre o amor. O site atraiu tanto o tráfego que deixou de funcionar no primeiro dia. O projeto tem expandido para incluir o trabalho de seis fotógrafos com sede nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, e mais de 4.000 mulheres se voluntariaram para contar suas histórias e posar nua.

“O projeto tem principalmente atingido mulheres jovens que são criadas em um mundo que não incentiva o amor a si mesmos como elas são”, diz Stasey.

“Honestamente, sem Jennifer, Herself.com teria afundado”, Stasey acrescenta. “Ela trouxe para o projeto muitas mulheres dispostas a ser documentado, e não só isso, ela fez elas se sentirem valorizadas e confortáveis. Alguma vez você já teve que despertar a essência de alguém enquanto eles estão completamente nu em uma manhã gelada de Toronto? Ela é verdadeiramente mágica. ”

A mais recente série de nus de Toole é uma resposta a Boko Haram, grupo extremista nigeriano responsável pelo sequestro e estupro de centenas de meninas. Sua ideia é combater a misoginia mortal do grupo representando imagens icônicas de mulheres acima do peso retratando deusas da mitologia grega.

Ela planeja imprimir 30 imagens, cada uma de três metros de altura. Arquiteto Katy Mulla está projetando uma estrutura leve, como um museu portátil, para mostrar as imagens. Toole espera que sua exposição itinerante chegue um dia na Nigéria.

É uma visão ousada, mas Toole gosta de pensar grande.

“Eu estou apenas começando”, diz ela.

Fonte: Steve Russell para Toronto Star
Tradução: Cadu Santos

Cinco razões para você ficar nu mais vezes

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Quando eu era uma estudante nos EUA, rapidamente dominei a arte de mudar de roupa no vestiário. Era predominante nos despirmos mantendo alguma peça de roupa ao mesmo tempo em que nos despíamos.

Então, quando eu acidentalmente me encontrei em um retiro de nudismo num spa nos alpes austríacos no inverno surpreendente eu comecei a pensar sobre o meu corpo.

Eu e mais um amigo chegamos a área de spa, que esperávamos ver toalhas brancas macias, maiôs e corpos de todas as formas e tamanhos. Mas em vez disso, tudo o que alguém estava usando era nada. Eu me encolhi meio tímida.

001Olhando ao redor daquele mar de corpos nus eu senti imensa vergonha. Tenho estrias no meu quadril resultado de uma gravidez. Meu seio esquerdo é um pouco maior do que meu seio direito. Quando foi a última vez que eu raspei minhas pernas? Oh meu Deus, seios daquela mulher de 50 anos de idade são maiores que os meus. Será que o minha nádega é parecida com essa? Deus não! Pelo menos eu me exercito. Bem, eu acho que estou mais magra do que ela. E assim por diante.

Meu amigo suspirou, olhou para mim e disse: “Eu acho que é considerado rude se não tirarmos nossas roupas.” Rude ?! Então, eu me recusei, mas depois da nossa primeira sauna, comecei a entender a lógica por trás da política de não-roupas. Eu estava seriamente superaquecida. Com uma inspiração profunda (depois de um enorme suspiro!) Eu tirei meu top.

Meus peitos … … Lá estavam eles. Eu percebi que tinha um tempo que era mais fácil tirar a camisa na frente de um parceiro sexual, do que tendo que mostrar os meus seios em público.

Mas em vez de fixar-se nos outros, eu decidi redirecionar meu foco para o porque eu sentia tanta vergonha. Por que foi o meu primeiro impulso para comparar o meu corpo para todos os outros? Por que eu estava catalogando cada centímetro de celulite que eu vi? Por que eu estava obcecada com o quão terrível que eu pensei que parecia?

Aqui estão cinco razões libertadoras porque você não deve ter medo de ficar nu:

1. “Perfeição” é uma ilusão.

Mesmo que eu esteja feliz com o meu corpo na maioria das vezes, eu ainda me sinto uma imensa pressão para parecer “perfeito”. Desde muito cedo me ensinaram como me tornar mais atraente para os homens – como flertar, usar saltos altos, saias curtas, sobrancelhas, entupa de maquiagem, etc. E ainda, com toda a roupa.

“Imperfeição” significa que não é um objeto de perfeição, e que não é apenas verdadeiro. Cada corpo é diferente. Quando olhei ao redor do spa naquele dia não era o meu corpo que me separava de todos os outros, era a minha atitude.

2. Ser vulnerável na frente dos outros é uma coisa boa.

Na Europa – Alemanha especialmente – é perfeitamente normal tirar o maiô e ir para um mergulho nu. Indo para a sauna é um passatempo amado e é geralmente entendido que todo mundo vai estar nu. No estúdio de ioga, onde eu ensino. Descobri que ver outros corpos nus pode nos fazer sentir mais confortáveis em nossa própria pele, se estamos dispostos lidar com o desconforto e medo.

3. Quando você julga os outros, você se julga.

Eu percebi que eu estava com medo de enfrentar meu próprio autojulgamento. Em vez de praticar a autocompaixão. A sociedade nos ensinou a julgar e criticar, em vez de amar e cuidar de nós mesmos e dos outros.

A primeira vez que eu estava a frente de uma sala de aula de yoga como uma professora, percebi que eles não olham o que você vê nas revistas, nem eles se parecem com o que costumamos ver. Mas ainda assim era um espetáculo bonito de se ver, no entanto.

Quando você se compara com outras pessoas, é uma forma de automutilação. Temos que cuidar do nosso corpo físico e emocional, e às vezes é igualmente importante – se não mais importante – ter uma rotina de fitness emocional também. A meditação é altamente eficaz para isso.

4. Quando você se sente confortável em estar nu, você vai se sentir menos inclinados a usar maquiagem e saltos.

Eu nunca fui uma garota feminina – não é só o meu estado natural. Às vezes eu uso batom (mas a maior parte do tempo não) mas eu finalmente percebi e aceitei que perder o traje me ajudou a ficar confortável apenas sendo eu mesma.

5. Ter meu contato com a Mãe Natureza foi muito bom.

Como a neve nos picos alpinos, meu corpo também um dia ira derreter. Meu bumbum vai ficar flácido e minha pele enrugar.

A pratica da yoga me ensinou uma coisa, é que eu não sou apenas corpo e eu não sou apenas o que passa em minha mente. Tudo neste mundo é material, e está sujeito a mudanças constantes. Mesmo sentada aqui agora e escrevendo isso, meu corpo está mudando. Minha pele é uma barreira de material em torno de mim e de alguma forma tirar a roupa naquela montanha, me fez sentir mais em paz com a natureza e comigo mesma.

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Por Samantha Rose

Tradução Equipe OS NATURISTAS

“Por mim a gente tirava a roupa onde quisesse, a qualquer hora, por qualquer motivo”

karina-buhr Karina Buhr de disco novo e sem-vergonha: “Por mim a gente tirava a roupa onde quisesse, a qualquer hora, por qualquer motivo”

Em meio ao lançamento do seu terceiro álbum, Selvática , neste mês, Karina Buhr acabou vítima de censura no Facebook: a capa foi malvista e rotulada como “imprópria”. Tudo porque a cantora resolveu estampar seus peitos, assim, descobertos. A cantora garante que não tá mostrando nada, “apenas estou sem camisa”, mas a patrulha não liberou. Em entrevista à Trip , Karina fala sobre seu novo disco, polêmicas na internet e tenta entender a complicada relação entre sexo e tecnologia.

Quais as expectativas para o lançamento de Selvática?

Quero que ele se espalhe muito e quero fazer muitos shows por todo lugar. O disco está mais pesado que os outros. Gravamos baixo, bateria, teclado sempre juntos e a maioria das vozes também gravei ao vivo, com eles.

A patrulha do Facebook chegou na sua capa. Ao mesmo tempo, a nudez nunca foi tão exposta no mundo digital.

Essa dicotomia tem a ver com machismo. A nudez que é aceita é aquela em que a mulher é oferecida como produto. Quando uma mulher tira a roupa com naturalidade, ou amamenta seu filho, isso incomoda. Leio toda hora “Karina Buhr mostra os seios em capa”. Não estou “mostrando” nada, apenas estou sem camisa.

A internet está mudando a forma como as pessoas lidam com sexo?

Isso muda o tempo todo, quando muda a forma de comunicação. Tudo está muito ao alcance e se, por um lado, existe uma liberdade maravilhosa, existem também os abusos.

E os apps como o Tinder?

Não entrei nessa, não funciono desse jeito. Também não vejo problema nenhum em quem gosta. Se tem uma coisa que ninguém vai desaprender é a flertar. Há novas maneiras de agir, mas é tudo parte da mesma coisa.

Manda nudes?

Sim, até na capa do disco! Acho lindo corpo, por mim a gente tirava a roupa onde quisesse, por qualquer motivo. Tomar banho de mar e de rio sem roupa é das coisas mais deliciosas da vida, que raramente a gente pode fazer – e se a polícia passa ainda leva a gente presa. Por falar em polícia, é legal não esquecer do grande trabalho que temos pela frente, de mudanças de paradigmas (e aqui vem o machismo de novo) pra que as pessoas não se sintam à vontade em divulgar imagens de outras sem o consentimento.

Fonte: Revista Trip #248Texto: Ana Luisa Abdalla

Vale lembrar que o álbum Selvática está disponível para download gratuito.