Editora Abril deixará de publicar revista Playboy

playboy-1993-monica-carvalhoFui uma criança da era pré-Internet, estudei em uma escola onde fazíamos trabalhos de escola usando enciclopédias e livros físicos, escrevíamos esses trabalho em papel almaço e entregávamos fisicamente eles, era uma época em que sabíamos o que passava no cinema quando íamos a porta do cinema, não tínhamos trailers de filmes um ano antes do lançamento e o “M” do MTV significava “music”.

Lembro-me de em 1993 ver a minha primeira Playboy, escondido com um amontoado de garotos atrás da quadra da escola, a capa era Mônica Carvalho, provavelmente um dos meus primeiros contatos com um editorial de nu, claro que na época eu nem sabia o que era um editorial ou que eu anos depois teria o desejo de trabalhar com fotografia.

Talvez a edição que tenha me despertado esse desejo mesmo que inconscientemente tenha sido a edição de agosto de 1996 (que possuo até hoje) com Maitê Proença com um ensaio, assinado pelo fotógrafo Bob Wolfenson, no interior da Sicilia, no Sul da Itália, até hoje provavelmente minha edição favorita.maiteproenca-playboy

Era uma época que para “ver uma mulher nua” você não precisava simplesmente digitar uma URL em um navegador, mas não culpo a Internet pelo fim da revista, a falta de uma reformulação e de adequação ao mercado poderia ter salvo a edição.

Como fotógrafo de editoriais sensuais o fim da Playboy poderia ser um golpe forte, afinal, como vamos convencer um cliente que ainda existe um mercado para o sensual com o fim de uma gigante sensual? A resposta é simples, vamos aprender com o erro, vamos ter outra forma de entrega da mídia, outro formato e principalmente outra linguagem, para outro público, para outras pessoas, como percebeu a Playboy americana que no início de outubro anunciou que deixaria de publicar imagens de mulheres nuas devido à concorrência da internet, que banalizou o acesso a esse tipo de imagens.

E hoje (19/11/2015) no Instagram da Revista Playboy do Brasil foi publicado: “40 anos, mulheres incríveis, entrevistas essenciais, reportagens marcantes. PLAYBOY deixa de ser editada pela Editora Abril a partir de dezembro, e deixa também uma história rica no jornalismo de revista do país. É possível que o título continue sendo publicado no Brasil por uma outra editora, mas o certo é que foram 40 anos bem vividos na PLAYBOY Brasil #Playboy #PlayboyBrasil #Playboy40anos”

Isso não significa necessariamente, no entanto, que as revistas deixarão as bancas do país. Há negociações avançadas entre uma editora brasileira e a Playboy Enterprises, empresa americana que controla os direitos sobre a franquia, para que o título continue a circular. No entanto duvido que o peso dos royalties não seja demais também para outras editoras.

Segundo dados do IVC (Instituto Verificador de Circulação) a “Playboy” teve queda de 31,6% em agosto comparado com o mesmo mês do ano anterior, chegando à marca de 79.163 exemplares. Bem longe do recorde de vendas de 1,247 milhão de exemplares com a edição que trazia Joana Prado, a Feiticeira, na capa.

A queda no faturamento vinha minando a capacidade da revista de publicar fotos de estrelas. Em agosto, a Playboy era a 24º revista mensal em circulação no País elas tiveram, respectivamente, quedas de circulação de 39,7% e 34,3% em agosto de 2015 comparado com o mesmo mês de 2014.

Veja abaixo o comunicado oficial:

“Dando continuidade à estratégia de reposicionar-se focando e dirigindo seus esforços e investimentos às necessidades dos leitores e do mercado, a Editora Abril deixará de publicar, em 2016, as versões brasileiras das revistas Men’s Health, Women’s Health e Playboy.

Esse movimento é parte de uma profunda e arrojada mudança da empresa, processo iniciado há cerca de um ano com a revisão do portfólio de produtos e a radical readequação das ofertas Abril à sua audiência, aos seus anunciantes e agências. Esse novo posicionamento compreende soluções cada vez mais eficientes, com a expansão digital fortemente ancorada por Big Data (ABD – Abril Big Data) e Branded Content (Estúdio ABC – Abril Branded Content).