Samsara – Hugo Santarem

Simplesmente um dos projetos mais lindos que vi recentemente é o Samsara de Hugo Santarem, sem precisar falar muito deixo vocês com o vídeo e as imagens desse trabalho sensacional.

“Samsara” em sãnscrito significa “seguir em frente”. Nas culturas hinduístas, budistas e jainistas, o vocábulo representa o ciclo de morte e renascimento, da transitoriedade e inquietação de nossa existência. É por meio do Samsara que podemos renascer, até chegarmos à iluminação. No budismo, a impermanência dos pensamentos também pode ser entendida como manifestações efêmeras do Samsara, em que os pensamentos morrem e renascem continuamente.

Assim também é na vida, em que transitamos de momentos de inquietação para os de tranquilidade, de consciência para inconsciência. A morte pode acontecer em vários momentos da vida. Todos morremos diversas vezes quando oscilamos de sentimentos, ou mudamos de cidade, emprego, ou mesmo quando mudamos nossas rotinas, hábitos ou ciclos. Mas por outro lado, esse processo permite renascer outras vezes.

A vida contemporânea exige rotinas, ritmos e focos que nos fazem perder outras oportunidades que nossa existência nos permitiria. Acredito que podemos renascer em cada movimento e atitude, e as imagens mostram a força que uma ação pode ter sobre nós e como isso se espalha pelo mundo. A imagem representa então, o desprendimento desse ciclo contemporâneo e a mudança que podemos fazer em nossas vidas.

Para mostrar essa força do corpo e da mente, foi construído um cenário de infinitude, representando o universo em sua origem, de forma que remeta imageticamente ao Big Bang, cuja grande explosão aqui apresentada, origina uma pessoa. O atleta, apesar do esforço, está sempre em movimentos e poses fetais. A explosão e cores, em todas as suas nuances, mostram a energia e a beleza desses movimentos. Para criar esse efeito, utilizou-se o pó do festival Holi, que simboliza o renascimento da vida com a chegada da primavera e remete à cultura indiana.
Hugo Santarem